Montar o próprio negócio está deixando de ser opção de vida para se tornar uma experiência quase obrigatória que já começa dentro das escolas.

As experiências inovadoras em torno de uma educação comprometida com o desenvolvimento do potencial criativo surgem cada vez mais como um desafio e uma solução para o desenvolvimento da vocação empresarial. Certamente, não se forma um empresário da noite para o dia. Muito menos o empreendedor que a sociedade vai exigir daqui para a frente, ágil, competitivo e capacitado para lidar com as oportunidades da economia globalizada. A semente precisa ser plantada desde cedo, ainda no ensino básico, visando a formação de indivíduos capazes de gerar e administrar negócios com eficácia e flexibilidade. Embora a grade curricular ainda esteja presa aos conteúdos tradicionais determinados pelo Ministério da Educação e Cultura, os colégios de ponta já estão conscientes da necessidade de preparar seus alunos para a nova realidade do mercado de trabalho, com o emprego cedendo lugar à livre iniciativa. É o caso do Pueri Domus Escola Experimental, que completou 34 anos de atividade em novembro de 2000.
Marie Elisabeth Kraus Debus, Diretora do Grupo MEZ, holding que engloba as cinco unidades de ensino e presta serviços a elas por meio de suas ramificações empresariais, conta que, há pelo menos seis anos, o colégio busca centrar a ação pedagógica na possibilidade de oferecer aos alunos a oportunidade de agir e interagir, de produzir e se realizar em uma sociedade extremamente competitiva. “Cada indivíduo terá que ter autonomia para decidir os seus caminhos, além de muita capacidade para interpretar fatos não só passados como também presentes, no sentido de projetar o futuro”, observa. A escola passou por uma grande reformulação em 1994, quando ficou constatada a inviabilidade total de continuar atrelada a um processo de ação pedagógica padronizado há décadas, com currículo fechado apenas no conteúdo, uma vez que o aluno não estava respondendo mais a esses estímulos. “Sentimos que havia a necessidade da quebra de paradigmas, partindo para o desenvolvimento de habilidades”, justifica a diretora.

Segundo ela, ao contrário do que se pensa, de alienados os jovens não têm nada, pois estão em sintonia com as mudanças estruturais da sociedade e já perceberam que o desafio será bastante diferente. “Nós é que temos que correr atrás e fazer com que essa angústia seja canalizada de forma positiva para que eles possam produzir, construindo seu próprio conhecimento e sendo capazes de gerar ações empreendedoras”, ressalta. Na visão da diretora do Pueri Domus, o ser humano não gosta de mudar, mas vai ter que aprender a fazê-lo o tempo inteiro e da melhor forma possível. “Eu vejo em cada um desses meninos e meninas de hoje necessariamente um empreendedor, pois somente assim eles terão condições de sobreviver, não mais como cidadãos com empregos e tarefas predeterminadas, mas sim integrantes de equipes que terão várias oportunidades pela frente, só que com outro perfil, a partir de projetos a serem desenvolvidos com a contribuição de cada um”, projeta. “Não se herda mais, pode esquecer a empresa do papai, porque, provavelmente, ela não vai existir e, mesmo que continue existindo, a competência para administrá-la será muito elevada”, complementa.
Elisabeth acredita que uma das missões da escola é fazer com que o indivíduo saia acreditando no seu potencial, com uma auto-imagem muito bem construída e com base para empreender algo. Como a gestão efetiva é um dos fatores mais importantes para que qualquer objetivo seja alcançado, o Pueri Domus já está trabalhando com os alunos do colegial em projetos em que eles aprendem a dirigir seus próprios negócios, incluindo custos, planejamento e capacitação de recursos.
Trata-se do nascimento de pequenos empreendedores que estão sendo preparados para prestar serviços e cobrar adequadamente.
“Estamos treinando técnicos em informática para atendimento domésticos, baby-siters e estamos pensando também em formar recreacionistas e Djs”, explica a diretora.

Nesse contexto, todos os projetos possuem a característica de promover uma postura profissional desde cedo, contando com a orientação de instrutores profissionais para cada área, contratados para fornecer os subsídios iniciais necessários, diferentes dos professores do conteúdo curricular do dia-a-dia. “É a primeira vez que o nosso aluno tem que optar seriamente, pois vai comprometer-se com a atividade escolhida durante um ano, decidindo o que fazer, pesquisando, levantando bibliografia, estabelecendo o planejamento do produto ou serviço e de que forma isso vai ser disponibilizado no mercado”, avalia Elisabeth.